Tenho lido vários livros que tratam da inovação com a ótica dos processos de Design, o motivo talvez, tenha sido depois de conversas com professores da pós-graduação em Design de Interação, com outros profissionais e consequentemente com os problemas que tenho me deparado em projetos no qual tenho trabalhado com meus sócios nos últimos meses.
Ainda vou escrever por aqui sobre este tema, algo mais aprofundado sobre esta questão da tão falada inovação, porém com a ótica do Design, mas não será agora.
Hoje comecei a ler um pequeno livro “Máquina de Inovação” escrito por Charles Bezerra que, em uma outra oportunidade eu já havia lido um de seus livros “O Designer Humilde“. Me chamou a atenção um pequeno trecho, mas que refletiu em um dos meus questionamentos com uma amigo na semana passada durante um evento.
Na maioria das vezes, as perguntas aparentemente primárias ou absurdas são as mais importantes, e não podemos deixar de fazê-las por timidez. Ingenuidade intelectual é um dos requisitos para inovação.
O que eu discutia era que, em um cenário complexo com mudanças tão rápidas, perguntas são chaves fundamentais para o questionamento e consequentemente uma forma de se criar um diálogo para entender as raízes de um problema. Mas porque será que a maior parte das empresas temem a começar subestimando as perguntas e indo diretamente para as afirmações?
O livro Design Emocional, foi sem dúvida um dos melhores livros que li neste ano, prometo em breve discutirei com vocês algumas das questões discutidas por Donald A. Norman. Compartilho com vocês uma das frases que sempre me faz retornar ao livro:
“Para o profissional que se dedica ao Design Centrado no Usuário, servir clientes é um meio de aliviá-los de frustrações, de confusão, de uma sensação de impotência. Fazê-los sentir-se no controle e dar-lhes poder.”
Isto me faz pensar o quanto, nós, designers de interação estamos próximos (ou já ultrapassamos) a linha de raciocínio do marketing indo além da “satisfação dos clientes”, em sermos grandes resolvedores de problemas.
Escolher um produto é uma tarefa que as vezes parece ser bem simples, se você pensa assim com certeza você deve mudar de ideia em breve. Imagine, você quer comprar uma calça jeans? Ótimo, meio caminho andado, você sabe pelo menos o que precisa, a calça jeans. Escolho uma loja entre milhares (ou até várias se você for muito consumista), você pode optar por uma determinada marca entre milhares, são vários tipos de jeans, existem várias cores de jeans e ainda a cada estação um tipo diferente de corte ou mesmo de estilo.
A escolha não é tão simples quanto parece não é mesmo?
Pense no seu dia-a-dia, quantas vezes em um único dia você precisa fazer escolhas, tomar decisões? São várias, vá até o supermercado e veja como é difícil completar a sua lista de compras, pois o tempo inteiro você terá que escolher e decidir sobre uma coisa ou outra. Na sua vida o pessoal o tempo inteiro existirão escolhas a serem feitas: Levar sua noiva a um restaurante Japonês ou a um Italiano? Pegar aquela oportunidade de trabalho ou não?
Quando conheci pessoalmente o Rene de Paula, User Experience Evangelist da Microsoft Brasil, no Interminas 2010. Ele me deu algumas dicas muito legais, inclusive me indicou a leitura do livro O Paradoxo da Escolha do Psicólogo e Professor de Teoria Social, o Americano Barry Schwartz. Um livro que me chamou a atenção, principalmente depois que eu cheguei em casa e comecei a ler rapidamente sobre ele.
Assista a palestra do Barry Schwartz no TED, ele vai esclarecer muitas coisas sobre o que irei discutir rapidamente por aqui.
Este assunto surgiu com o Rene, no momento que conversávamos sobre algumas diferenças entre a Apple e a Microsoft. No momento falávamos sobre o fato de que a Microsoft possui uma solução para todo o tipo de hardware, seu OS atende do hardware da Dell ao ching-ling Chinês. Já a Apple te vende uma solução limitada e fechada em questões de personalização, quer um Macbook Pro? Ok, escolha entre estas 4 opções e altere uma ou outra coisa, os seus produtos são de certa forma bem limitados na hora de escolha. Não entenda aqui, que eu esteja tomando partido de uma ou outra marca, acho a limitação da Apple ruim mesmo, porem eu mesmo uso um Macbook Pro e me considero um cliente muito satisfeito. Quer comprar um PC? Ótimo, mas com certeza você vai enlouquecer e precisar de ajuda do seu sobrinho que entende muito bem de informática para te ajudar.
A ideia central do livro deixa claro que, “OK, é bom ter opções de escolha”, quer comprar um carro? Existem milhares de modelos. Quer comprar um sabonete? Entre no supermercado e escolha a marca A e inúmeras opções que vão até a marca Z. Mas será que este excesso de escolhas não acaba nos transformando em pessoas infelizes? Será que fiz a compra certa? Eu podia ter comprado outro? Ao invés de satisfação pelas nossas escolhas, sofremos trantornos, drepressão e ansiedade.
No meu ponto de vista, ter opções e até mesmo um grande número delas, foi uma grande vantagem que a atual era tecno-industrial que vivemos nos ofereceu. Possibilitar que os produtos fossem produzidos de forma mais rápida e atendendo a pequenas diferenças para cada pessoa, ou o que é mais comum, para determinados grupos. Daí vem o Barry Schwartz e me dá um verdadeiro choque contradizendo tudo aquilo que eu imaginava ou que não havia parado para pensar um pouco mais afundo.
O que estamos criando para o mundo? Somente uma forma de que nossa mente se ocupe com a tomada de decisões? Será que isto tudo não poderia ser mais fácil? Será que a abundância das escolhas está fragilizando (ou já fragilizou) a nossa felicidade?
Barry levanta 4 possíveis razões da nossa insatisfação por tantas opções:
O custo da oportunidade: Escolha um e abra a mão dos outros;
Arrependimento: Não escolha e arrependa-se, escolha e arrependa-se também;
Capacidade de adaptação: Estava bom ontem e não está mais agora;
O peso da comparação: A grama do vizinho é mais verde que a minha.
Não vou entrar nos detalhes destas 4 possibilidades pois a Alessandra Colla Soletti Tussi em setembro/08, escreveu um artigo no Webinsider, “Paradoxo da escolha: mais opções, menos felicidade” onde ela consegue explicar de uma forma bem simples os argumentos do Barry Schwartz e estas 4 possibilidades. Naquela época o livro ainda não tinha uma versão traduzida para nosso português tupiniquin.
Recomendo a leitura, eu como sou viciado em comprar livros não perdi tempo e comprei o meu, é uma pena que ainda não chegou para que eu pudesse prolongar um pouco mais este texto, mas o vídeo de apresentação do Barry no TED e este post da Alessandra me fizeram acreditar que valia muito a pena.
Em outra oportunidade eu comentar um pouco mais sobre as idéias deste livro.
Geovane Rodrigues, Designer especializado em Design de Interação pelo IEC/PUC Minas. 10 anos de experiência em projetos de UX, UI, IxD. Co-Fundador da Voël, Líder do capítulo IxDA de Belo Horizonte e co-organizador do Interaction South America 2011.
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